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Sábado, 25 de Outubro de 2014

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Trabalho, estresse e sexualidade

 

Hoje, viver em uma sociedade complexa, de forma realizadora, criativa e realmente independente, é uma tarefa árdua e muitas vezes difícil de ser efetivada. O convívio com pessoas de temperamentos diferentes, ter de cumprir metas, executar múltiplas

tarefas e atender a metas nem sempre compatíveis com nossos desejos profissionais, e, ao mesmo tempo, preservar nossa necessidade de auto-estima e realização pode ser um desafio à nossa saúde e à nossa sexualidade. O ser humano tem dimensões biológicas, psicológicas e sociais. Biológicas: São características físicas herdadas ou adquiridas durante a vida. Inclui o metabolismo, as resistências e as vulnerabilidades dos órgãos ou sistemas. Psicológicas: São os processos afetivos, emocionais e de raciocínio, conscientes ou inconscientes, que formam a personalidade de cada pessoa. Sociais: São os valores, as crenças, o papel na família, no trabalho e em grupos e comunidades a que cada pessoa pertence e de que participa.

O meio ambiente e a localização geográfica também formam a dimensão social. A inter-relação das dimensões biológica, psicológica e social é inerente a cada ser humano e cada uma dessas características humanas contém aspectos muito especiais e diferenciam-se em termos de funcionamento e modos de realização. O trabalho, que pode ser fonte de grande satisfação, é também criador de condições para ansiedade e stress, caso o indivíduo não se equilibre, adaptando-se às novas condições que surgem, no aumento das exigências da produtividade. Estas são suficientes para comprometer não só o desempenho profissional, mas também as funções orgânicas, como alteração da secreção de catecolaminas, favorecendo o surgimento de hipertensão arterial e alteração no metabolismo dos lipídeos plasmáticos, provocando hiperlipidemias, importante fator na arteriosclerose. O conflito entre as metas e a estrutura da empresa é um grande agente estressante. O estresse é um conjunto de reações que um organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço de adaptação.

Reação de estresse é uma reação mental ou física a uma situação adversa que mobiliza os recursos de emergência do corpo, o mecanismo de “lutar ou fugir”, que inunda o corpo de hormônios que o incitam a enfrentar o desafio. A resposta sexual humana sofre influência direta do estresse causado pelo trabalho e das nossas preocupações do dia a dia. A baixa freqüência sexual, em nossa sociedade contemporânea, tem como causa maior o estresse prolongado, a monotonia e a fadiga. Os terapeutas sexuais são, freqüentemente, solicitados a atender casais cuja baixa freqüência sexual é devido ao seu estilo de vida compulsivo, sobrecarregado de estresse. O ser humano não foi programado para reproduzir-se sob condições perigosas, estressantes e desgastantes, e a perda da libido está associada aos problemas pessoais dos dias de hoje, tais como: desemprego, falência, processos, etc.

A anorexia sexual é quase endêmica durante o difícil período de um estresse prolongado. Apesar das dificuldades no trabalho e do estresse podemos manter a nossa sexualidade ativa e prazerosa. Pense em responder estas perguntas: O que posso mudar para melhorar a minha vida e a vida dos que me cercam? (Não é esperar que os outros mudem e sim dar o primeiro passo). Do que gosto e como gosto? Se não sei, devo aprender, para depois ensinar. Será que não me cobro demais? Também não cobro muito da(o) parceira(o) e isto tiraria a sua espontaneidade? O pensar no querer mudar já é uma grande vitória. As mudanças exigem adaptações e tempo. Nada é rápido. Esqueça um pouco as suas obrigações e relaxe. Diga o que sente para a(o) sua(seu) parceira(o), o que quer mudar e melhorar; escute a sua opinião e reflita sobre elas. O caminho do novo prazer será mais curto e as sensações de uma resposta sexual mais eficiente e prazerosa indicarão a certeza do sucesso. Boa sorte!

DR CELSO MARZANO