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Cuidados par a amamentar com sucesso
O leite materno é uma maneira natural de alimentar uma criança.No entanto, o ato de amamentar não é instintivo e deve ser aprendido, assim como ocorre com a aquisição de qualquer nova habilidade, como ler, escrever ou pintar.
Benefícios do aleitamento materno.
O leite materno é um alimento especialmente produzido pela natureza para atender às necessidades de crescimento, de desenvolvimento e de energia da criança até os 6 meses de idade. É o único momento da vida humana em que somente um alimento é capaz de suprir todas as necessidades nutricionais do organismo. Outro fato extraordinário são as alterações de composição pelas quais passa o leite materno, durante o período de amamentação, para melhor se ajustar às necessidades do bebê.
O colostro, um leite especial secretado pela mama nos primeiros dias após o parto, rico em proteínas, vitamina A e anticorpos que ajudam a proteger o lactente contra infecções. O colostro funciona como imunização para a criança e ajuda na sua primeira evacuação.
O leite materno é um importante provedor de anticorpos que previnem doenças comuns na infância. Ele contém nutrientes facilmente digeríveis pelo bebê e é seguro, pois a amamentação é um processo higiênico com baixo risco de contaminação. Bebês podem reagir a algum alimento ou medicamento que a mãe tenha consumido, mas nunca são alérgicos ao leite de sua própria mãe. A amamentação obriga o lactente a um esforço de sucção maior do que no aleitamento artificial, fortalecendo e desenvolvendo o maxilar, facilitando o processo da fala. O leite materno contém pelo menos duas centenas de compostos que as formulas infantis não tem.
PRECAUÇÕES IMPORTANTES PARA MÃES QUE AMAMENTAM
• Evitar grandes quantidades de alimentos ricos em cafeína (café, chá preto, chocolate, medicamentos contendo cafeína, refrigerante e bebidas à base de cola), pois parte dessa substancia é excretada pelo leite. Existem casos, quando há excesso de consumo, em que a criança fica irritada e com o sono alterado.
• Observar para que a alimentação não se altere muito de um dia para outro, por exemplo, consumir uma massa alho e óleo no mesmo dia que comeu bife temperado com bastante alho e cebola, pois pode causar cólica no bebê.
• Observar se o bebê se contorce ao mamar, pois é indicativo de cólica e precisa ser avaliado pelo pediatra ou nutricionista para ver a possibilidade de alergia a algum componente da alimentação da mãe.
• Não fumar, pois a nicotina inibe a ação da prolactina e ocitocina, dois hormônios responsáveis pela produção e liberação do leite. Alem disso, as substancias contidas no cigarro passam para o leite e podem ser prejudiciais à saúde e ao desenvolvimento da criança. As mulheres que amamentam, e não conseguem para de fumar, devem reduzir ao mínimo o numero de cigarros e fumar após as mamadas, para que haja um intervalo entre o fumo e a mamada.
• Evitar bebidas alcoólicas, ou se fizer, beber com moderação.
• Não tomar medicamento sem orientação medica, pois algumas drogas podem fazer mal à criança e passam através do leite materno.
• O consumo de ácidos graxos do tipo ômega 3 são essenciais à boa formação do bebê, pois é um constituinte das membranas celulares. Através da alimentação da mãe é que haverá maior ou menor teor de ômega 3, para isso consumir: semente de linhaça moída – 1 a 2 colheres de sopa ao dia, peixes de água fria (salmão, bacalhau, arenque), nozes pois são fonte deste ácido graxo.
COLONIZAÇÃO INTESTINAL
Antes do nascimento o intestino do recém-nascido é estéril, banhado apenas pelo líquido amniótico. A colonização bacteriana intestinal inicia ao nascimento, quando o RN é exposto às diferentes espécies de microorganismos, incluem o canal vaginal, a região perineal da mãe e o contato com outras bactérias do meio ambiente. O leite materno cria um ambiente favorável para o crescimento das espécies de típicas dos lactentes e raramente são encontradas em adultos.
Fatores como a dieta da mãe ou o consumo de probióticos ainda na gestação, tipo de nascimento (parto vaginal ou cesáreo), prematuridade, alimentação (leite humano ou artificial) influenciam o processo de colonização e o tipo de organismos que se estabelece e fatores intrínsecos como saúde do RN, estado imunológico e tempo de trânsito intestinal.
Uma boa condição intestinal da mãe é fundamental para a qualidade da amamentação e o uso de bactérias probióticas pode ser indicado para prevenção de alergias alimentares do bebê e equilíbrio da flora intestinal da mãe.
O que aumenta a produção láctea?
Para produzir leite a mãe precisa estar relaxada, tomar bastante líquido e consumir frutas, pois a base nutricional para o leite materno são os carboidratos e como a fruta oferece frutose que vai sendo degradada aos poucos, é a fonte ideal de energia para produção láctea.
Existe uma relação direta com o consumo calórico da mãe e a quantidade de leite produzido, portanto não dá para fazer uma dieta restritiva enquanto amamenta.
Outra interferência que pode ocorrer é uma grande quantidade de exercício físico, pois é um fator estressante em termos metabólicos que pode comprometer a produção láctea. Faça atividade física moderada, orientada e que respeite sua individualidade.
Na amamentação, precocidade é um fator de sucesso. Logo após o parto, inicia-se um processo hormonal para favorecer o aleitamento. Por isso, é bom favorecer a primeira mamada o mais precocemente possível após o nascimento. Isso ajuda a garantir o sucesso da amamentação.
Sinais indicativos de uma amamentação correta. Uma posição confortável para amamentar, uma pega correta da mama pelo bebê e uma boa freqüência de mamadas são fundamentais para o sucesso de amamentação. Veja uma pequena lista de checagem de cada um desses fatores:
O conforto da mãe é o fator critico para o sucesso da amamentação
Não só o bebê, mas também a mãe devem usufruir de conforto durante a amamentação. Cansaço e dores musculares podem tornar, desnecessariamente, a amamentação um processo estressante.
Boa quantidade de leite
A produção adequada de leite é dependente da sucção do bebê (pega correta e boa freqüência de mamadas). São sinais de uma produção adequada de leite:
• O bebê ganha peso adequadamente.
• O bebê molha cerca de 6 ou mais fraldas por dia.
• O bebê evacua varias vezes por dia.
• A mama da mãe tem aparência intumescida e rija.
Boa posição
• O pescoço do bebê está ereto ou um pouco curvado para trás, sem estar distendido ou torcido.
• O corpo da bebê está voltado para o corpo da mãe (barriga contra barriga)
• Todo o corpo do bebê, bem como o da mãe, recebe sustentação.
• O bebê deve ficar confortável e a mãe relaxada.
Boa pega
• O bebê está com a boca bem aberta.
• O queixo está tocando o seio.
• O lábio inferior está virado para fora.
• Há mais aréola visível acima da boca do que abaixo.
• A mãe não sente dor no mamilo.
Posição correta de amamentar.
O posicionamento correto da criança ao seio, bem como a disponibilização de uma área suficiente de mama na sua boca, é importante para garantir uma boa sucção, prevenindo uma transferência de quantidade inadequada de leite e, ainda, a maceração das mamas, o surgimento de rachaduras ou seu ingurgitamento. O corpo, e sobretudo, a face e a boca do bebê devem estar voltadas de frente, na direção do seio materno, para que ele não tenha de virar a cabeça para pegar o peito. Em seguida, a mãe deve estimular o reflexo de busca, tocando a boca do bebê com o mamilo. Ao abrir bem a boca, ela deve, com um movimento rápido, aproximar o bebê da mama para que ele abocanhe nas apenas o mamilo, mas também boa parte da aréola (parte escura da mama). Dessa maneira o bebê fará uma boa pega, que é fundamental para retirar eficientemente o leite da mama.
O recém-nascido tem um reflexo de pegar o peito e, por isso, abre a boca de forma natural. Alguns bebês, instintivamente, começam a sugar assim que são colocados na frente do peito. Muitos chegam a sugar o polegar enquanto esperam a mamada. Outros se aninham primeiro, e então, só após sentirem o calor e a segurança do peito da mãe, iniciam a mamada. Não existe uma maneira mais certa do que a outra, ambas são normais. No entanto, o posicionamento errado do bebê, além de dificultar a sucção, é uma causa freqüente de problemas na amamentação.
A posição da mãe deve ser a mais confortável e relaxada possível durante a amamentação. Uma boa poltrona, com braços e com um bom suporte para as costas, ajuda bastante. Outra maneira habitual de amamentar é utilizar a cama, mas com travesseiros que sustentem as costas e os braços da mãe, evitando tensão excessiva nas costas, no pescoço ou nos ombros durante o transcorrer da amamentação. Uma posição confortável aumenta a disposição da mãe para amamentar. É comum ela amamentar sentada, mas poderá estar deitada. Isso acontece quando ela está se recuperando de uma eventual cirurgia cesariana ou, simplesmente muito cansada, Se optar pela posição sentada, um travesseiro deve ser colocado sobre as pernas da mãe, debaixo do bebê.
Providências pós-mamada
Colocar o bebê para arrotar ao final da mamada e quando se muda de seio alivia o desconforto causado pelo ar que, às vezes, é engolido durante a amamentação. Para facilitar a tarefa de arrotar, coloque o bebê em posição vertical, apoiando-o contra o peito, dando leves palmadas em suas costas. É normal que ele regurgite um pouco de leite
Vínculo mãe-filho
A mãe é fisicamente o primeiro ambiente, tanto em termos biológicos como psicológicos, da criança. Isso explica porque o bebê é sensível a ela, a maneira como a mãe se comporta e se sente em relação à criança, exercerá influencia sobre sua saúde física e psíquica. Tanto as crianças que sofreram privações afetivas como aquelas emocionalmente bem tratadas tendem a repetir o mesmo comportamento com seus filhos, perpetuando a conduta.
Não é permissível afirmar que todo desmame precoce é resultado de um fraco vinculo entre mãe e filho. No entanto, na via inversa, um período de amamentação duradouro reforça essa relação, nutre a criança de maneira adequada e a protege tanto no aspecto biológico como emocional.
Hormônios da amamentação
Ter conhecimento dos fatores que favorecem a síntese dos hormônios que influenciam na amamentação, ajuda a compreender as principais recomendações dadas às mães que amamentam. Assim ocorre o parto, o sistema nervoso da mãe começa a produzir dois hormônios fundamentais para a amamentação: a prolactina e a ocitocina.
A prolactina, que começa a agir logo após o parto, é o hormônio que atua na glândula mamaria estimulando a síntese de leite, quando a mama é sugada. Daí a recomendação de iniciar a amamentação o mais cedo possível.
Dessa forma, evita-se a deficiência desse hormônio, aumentando as chances de sucesso do aleitamento.
A ocitocina também atua sobre as glândulas mamarias, mais especificamente, promove a contração das células produtoras de leite, liberando-o. A produção da ocitocina é estimulada pela sucção da mama e pode ser inibida por estados emocionais estressantes causados pelo medo, insegurança ou ansiedade. Essa razão pela qual o apoio da família e um ambiente tranqüilo para amamentar são fundamentais para o sucesso do aleitamento.
Maribel - Nutricionista
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